Cuidado ao digitar aqui, Unzer.
Cada letra será lida com calma e paciência, saiba que haverá amparo para cada frase.
Não tema, mas cuide das palavras.
E esteja de braços abertos, porque seus colegas aqui têm apreço (talvez até em demasia) pelas letrinhas que apertam no teclado.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Ao Paulinho
Publicada por
Pedro Felício
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12:19
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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Minhas impressões sobre o conto.
*
O conto, como forma narrativa, envolve alguns elementos estilísticos e formais que, em uma primeira leitura, podem parecer muito intrincados e peculiares, de forma que a sua leitura e decifração exigem um compromentimento visceral do leitor com o texto. Um conto pode ser lido de muitas formas, suas significações mudam de acordo com os ânimos e o temperamento, suas cores e texturas se dispersam e se coagulam cada vez que nos debruçamos sobre ele. Isso acontece sempre que estamos prontos a perceber os sentidos ocultos que até então nos eram totalmente misteriosos.
Dessa forma, qualquer forma de leitura desinteressada se torna um desastre para o entendimento do conto. A primeira leitura é sempre insuficiente. São necessárias sucessivas releituras, que devem revelar camadas sobrepostas de entendimento e reconhecimento que nos permitam penetrar no enigma daquele conto. E quando isso acontece, temos a sensação de o ter lido muitas vezes como se fosse a primeira. Esse é o grande barato de ler contos. Sua capacidade mutante, instável, que vacila e que não fixa por si só o sentido da ficcionalidade ali posta. O conto, como forma de narrativa, nada mais é do que uma linguagem, e ser alfabetizado não é o bastante para dominá-la em suas diversas formas, em seus múltiplos dialetos. Como o Pedro bem me disse uma vez, toda forma de arte é uma linguagem que deve ser dominada e aprendida, no intuito de revelar os sentidos escondidos de uma realidade essenciamente sem sentido, transbordante. Talvez, me arrisco a dizer (ou foi o Pedro?), esse contato com a realidade, essa re-ligação primordial, sua compreensão e comunicação (ação de tornar comum), seja o fim último da arte - da boa arte, pelo menos.
Existem alguns excelentes. Uma casa que é tomada por elementos insondáveis (Casa Tomada, Julio Cortázar), um objeto esférico que concentra todo o universo (O Aleph, Jorge Luis Borges), o amor que paralisa um pintor como uma morte dilacerante (Os Amigos, Juan Carlos Onetti). Neles, o absurdo e o fantástico, o impossível, as fissuras da realidade que revelam a constante e ameaçadora falta de sentido, sempre pronta a atacar e destruir, a contrapelo, o cotidiano trivial e ordinário. Contos que se abatem sobre nós com uma força avassaladora e que tentam descortinar todo um universo de coisas que não sabemos, que nem conseguimos imaginar. Ao meu ver, essa deve ser a função de um conto, essa me parece sua principal proposição em termos de conteúdo, independetente de suas variações formais. Mais do que isso, essa deve ser a função da literatura. Sem mais.
* Julio Cortázar tocando trompete
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Rodolfo
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18:24
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Piglia e o meu desespero
Ricardo Piglia me foi apresentado pelo colega de blogue Rodolfo.Piglia é argentino, escritor, professor da Universidade de Princeton (E.U.A.) e estudioso da literatura argentina."Formas Breves" - excelente apanhado de alguns de seus ensaios, diários, palestras e artigos - é uma obra de referência na crítica literária argentina. Acreditem, é uma quantidade de informação difícil de digerir assim, de cara. E terrivelmente assustador conhecer nas primeiras vinte ou trinta páginas nomes que são a excelência da literatura argentina contemporânea e que você nunca ouvi falar. Claro, um ou outro nome você conhece, já leu alguns portenhos ilustres, Borges, Cortázar. Outros você conhece de nome, Macedonio Fernández, , Lugones.
Mas a análise de Piglia é minuciosa e passeia de Joyce a Eurípedes, de Poe a Cervantes, de Freud a Roberto Arlt.
Me desespera, sobretudo, a ignorância que tenho em relação aos autores latino-americanos, os vizinhos aqui ao lado. E que eles provavelmente devem ter acerca dos brasileiros, já que quase nunca me é apresentado um novo autor nacional, imagine aos hermanos!
É uma postagem só pra lembrar que nossa literatura está nas estantes mais escondidinhas, que não conhecemos os escritores que falam o mesmo idioma que nós. São incríveis Guimarães Rosa, Machado de Assis, Clarice Linspector, mas há tempos não encontro as referências da nova literatura brasileira (que dirá da latino-americana).
Preciso ler mais a coluna "livros" da Ilustrada ou do Caderno 2?
Duvido.
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Pedro Felício
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17:31
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Prólogo
"Desocupado leitor, acredite que eu gostaria que este blog, como filho do entendimento, fosse o mais bonito que se pudesse imaginar. Mas não me é possível ir contra a ordem da natureza; que nela cada coisa gera seus próprios semelhantes".
Paráfrase, tradução ignorante e simplificação grosseira de trecho do prólogo de Miguel de Cervantes para “El ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha”.
Publicada por
Pedro Felício
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18:47
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Para começar...
Um bom livro, literatura de preferência. Em seguida, o silêncio das madrugadas insones, ou o silêncio contínuo dos burburinhos das ruas, esse ruído constante do sacolejar dos ônibus, ou das rajadas de vento inesperadas anuciando a chegada do metrô. Depois, um ensimesmamento, uma predisposição à solidão, às transmutações do tempo e dos espaços, das vontades e dos desejos. Mais tarde, as flutuações e os suores. E, enfim: o entendimento. Guardemos esse espaço para nossas impressões, nossos palpites e nossas intuições. O que estou lendo, e o que vocês estão lendo, isso é o que deve interessar...
Publicada por
Rodolfo
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17:51
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